Mostra Audiovisual em Curso | Ongoing Audiovisual Exhibition

23 e 24/11, 14h, Goethe-Institut Porto Alegre
A segunda edição da Mostra Audiovisual em Curso conta com a curadoria de 19 alunos de sete cursos de realização audiovisual, artes visuais, comunicação e animação de cinco instituições do RS: Crav/Unisinos, Teccine/PUCRS, Fabico e Instituto de Artes/UFRGS, Audiovisual e Animação/UFPEL e Audiovisual/Uniritter. A mostra reunirá 38 obras selecionadas pelos alunos-curadores. Além da exibição, a mostra terá debates entre os curadores e os realizadores dos filmes selecionados. A Mostra Audiovisual em Curso acontece no sábado e domingo, 23 e 24 de novembro, no Goethe-Institut Porto Alegre, das 14h às 18h. A novidade em 2019 é que a mostra torna-se competitiva e conta com o voto do público, que escolherá não o seu filme preferido, mas a melhor sessão, valorizando assim o processo curatorial dos alunos. A Fluxo Escola de Fotografia e Cinema concederá três prêmios ao grupo de curadores escolhidos pelo Júri Popular.

23/11, 14h - Sessão 1 - PUCRS e UFRGS

Texto curatorial TECCINE PUCRS - por Pedro Spieker e Samanda Kozicki
Dentro de uma busca de unidade das obras audiovisuais realizadas na PUCRS entre 2016 e 2019, encontrou-se um recorte reconhecido como de interessante diálogo com nosso momento. Este é representado por um conjunto compacto de quatro filmes que i lustram um vigor na ascensão de narrativas femininas frente aos entraves do meio audiovisual.

Quando pensamos nas principais problemáticas institucionais vigentes no cinema, percebemos uma necessidade urgente de correção sobre a falta de diversidade tanto nas histórias sendo contadas quanto nas pessoas que as tornam realidade. Para o bem deste quadro, é notável uma presença crescente de novas caras realizadoras, agregando pontos de vista frescos e carregando a magia audiovisual com os incômodos de suas vivências.

No contexto audiovisual, a primeira voz apagada que vemos emergir nessa onda transformadora na cultura contemporânea é a feminina. A curva do número de mulheres diretoras torna-se visível até mesmo para os olhos pouco treinados e, apesar de estar longe de um ideal igualitário, demonstra um quadro muito superior ao que se tinha há até mesmo poucos anos atrás.

Inseridos no universo da PUCRS, os curtas-metragens O Ser e o Nada, Primavera, Calêndula e Bacante representam exemplos vivos desta realidade em transformação. Todos dirigidos ou codirigidos por mulheres, estes trazem histórias protagonizadas por elas com tramas impossíveis de desligar de seus gêneros, corpos e vivências.

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Texto Curatorial UFRGS - Aline Rodrigues, Kahena Zanardo Sartore, Nícolas Lobato, Sophia Kopte
Durante o processo de seleção, percebemos, que, de forma inconsciente, foram escolhidos filmes que se relacionavam com relatos particulares. Narrativas imaginárias envolvendo a memória de acontecimentos passados da personagem ou enfrentamentos de obstáculos pessoais, em relatos não tão ficcionais de experiências do criador em si, ou mesmo onde a presença do próprio corpo do artista nos conectam, como humanos, a uma mesma história coletiva. Dentro da prosa imagética do outro, encontramos um pouco de nós mesmos. 
O espectador, ao acompanhar a ordem dos filmes, se verá entrando cada vez mais profundamente na vivência de outrem, à medida em que os vídeos vão adquirindo uma perspectiva mais pessoal. Essa seleção nos faz refletir, como público, a respeito de nosso papel tanto como membro da sociedade, como corpo, quanto como seres mentais e emocionais, com nossas experiências que nos lapidam e nossa capacidade de olhar para dentro e se autoconhecer.
 

24/11, 14h - Sessão 2 - UFPEL, UNISINOS e Uniritter

Texto curatorial - UNIRITTER - por Lorena Longaray e Márcio Picoli

Quando fomos convidados para fazer a curadoria da Mostra Audiovisual em Curso da Uniritter para o Cine Esquema Novo, um grande obstáculo era bastante evidente: o pouco tempo de existência do curso e a aparente falta de filmes que pudessem conversar com a proposta do Festival. Para nossa surpresa, esse foi o menor dos problemas. Encontramos uma quantidade de produções muito maior do que imaginávamos e, então, a grande questão foi encaixar toda essa qualidade e diversidade encontrada em apenas 40 minutos. 

Na Uniritter, encontramos os mais diferentes tipos de estudantes, de histórias e de aspirações. Por isso, o norte da nossa curadoria foi a busca pela diversidade. É possível encontrar curtas que vão desde a política, passando pelo empoderamento feminino e a questão de pessoas com deficiência. Essas temáticas também se refletem nas pessoas realizadoras. A ideia é fazer um mergulho em questões que, embora estejam em discussão na sociedade, dificilmente são colocadas no mesmo espaço e com importância semelhante. Ademais, o uso da linguagem experimental e, às vezes, documental apresenta um novo olhar aos corpos envolvidos nos curtas, os quais dialogam com a crescente necessidade de demarcar posições e buscar espaços antes negados. Por fim, em um ano como 2019 e, considerando o momento tenso em que o mundo passa, focar na diversidade e na busca por novos lugares, sem dúvida, é a melhor forma de resistência que vamos encontrar. 

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Texto curatorial – CRAV UNISINOS - por Beatrice Fontan, Guilherme Medeiros, Lucas Bastos, Luiza Zimmer

Recebemos o desafio da oficina de curadoria do Cine Esquema Novo 2019, em selecionar 40 minutos de filmes de nossos colegas, filmes universitários realizados a partir de 2016, em que todos coubessem ao estilo da Mostra Audiovisual em Curso.

Tivemos um longo debate analisando os filmes a serem selecionados, de curtas que melhor representam a proposta e o CRAV. Selecionamos cinco filmes, de diversos gêneros e estilos que juntos formam uma bricolagem de perguntas e buscas por respostas, expressando o que nós, estudantes de audiovisual e realizadores, procuramos intrinsecamente no cinema e no momento cultural atual em que vivemos.

Os filmes são: Brava (Isabela Alves Prudêncio, 2017); Coágulo (Jéssica Gonzatto, 2017); E.V.A. (Alice Sperb e Thiago Dorsch, 2018); Silhueta (Victoria Farina, 2018); e Theia (Victor Haubert, 2018). Apesar de suas peculiaridades, os filmes em si dialogam narrativamente através de uma jornada incessante por parte dos personagens.

Essa combinação de filmes, mostram corpos, muitas vezes perdidos, no qual percorrem durante o filme uma busca dentro de si ou através de outro. Um caminho que percorrem dentro de uma procura visual, sensorial, psicológica e impalpável. Tal trajetória, que varia de uma casa até os confins do espaço sideral, mostra essa necessidade do protagonista de encontrar algo que o complete e que não está presente em seu mundo comum. As respostas nem sempre se manifestam, ou ainda, se apresentam concretas para os personagens e abstratas para nós.

Esperamos que o público aprecie a curadoria do MAC 2019. Encontre gatilhos para perguntas assim como respostas dentro de si mesmos através dos questionamentos propostos pelas obras a partir das narrativas e inventividades criadas pelos estudantes do CRAV – UNISINOS.

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Texto curatorial UFPEL - por André Berzagui, Emmanuelle Schiavon, Lucas Honorato, Rowan Romeiro, Rubens Fabrício Anzolin e Victória Deniz

Ainda que tenhamos feito um recorte de filmes a serem exibidos na mostra Audiovisual em Curso do Cine Esquema Novo, torna-se importante mencionar que é impossível através desta seleção ter uma ideia sobre como se desenvolvem as produções cinematográficas dos cursos de Cinema e Audiovisual e Cinema de Animação da Universidade Federal de Pelotas. Tornando, então, este recorte apenas um pequeno fragmento das múltiplas narrativas e linguagens que são produzidas nestes cursos.

Porém, através de discussões que envolveram a compreensão de que somos realizadores diferentes, que possuem experiências cinematográficas múltiplas e, claro, considerando o conceito de produções que o Cine Esquema Novo busca, foi possível estabelecer um diálogo curatorial que nos permitiu chegar a estas obras específicas.

As experimentações que estes filmes trazem nos direcionam a um ponto de embate que compete uma leitura da existência – uma leitura de onde viemos e para onde vamos –, pois os filmes em si carregam a capacidade e turbulência das emoções humanas, de tragar-nos e questionar-nos, são obras que jogam as vias do espectador a um campo mais indefinido, apontando para a angústia da permanência.

No filme Só sei que foi assim (Giovanna Paixão, 2019) o encontro com um livro que fala sobre a selva, e revela a pulsão do desejo de seu melhor amigo de finalmente agir como um tigre e partir em uma jornada, proporciona confrontos com inseguranças, mas também um encontro com as forças internas. Já em A olho nu (Bruno Iligo, 2018) observamos como o abstracionismo que uma obra causa aos nossos sentimentos pode ser vista literalmente por um personagem que se sente tocado pela arte. Um tanto distante dos descobrimentos emocionais, Não foi gol tava, impedido (André Berzagui, 2019) traz footages baixados do Youtube, falando sobre o futebol de modo certo por pernas tortas, tal como Garrincha jogava. TonyTony (Victória Araújo e Gabriel Portela, 2018) explora nossa relação tão próxima com a tecnológica, filhos de um computador, pais que são máquinas.

Adentrando um viés de descontinuidade encontramos Sardanisca (Luan Bento, 2018), e nossa pele cai muda sai suja vai até virar ao contrário, largatixa. Eu te registro, simplesmente (Rowan Romeiro, 2019) é uma elegia a uma vida triste, pessimista e frágil. Sofrerás, sofrerás, sofrerás, e tudo será inútil. André na festa (Rubão, 2019) trata-se da libertação, “a beleza é o nome de qualquer cousa que não existe. Que eu dou às cousas em troca do agrado que me dão. Não significa nada”. A transmutação como um indicativo de estar se tornando uma má pessoa, Céu da boca (Amanda Treze, 2019) fala do processo de autoanálise quando a personagem se questiona sobre a relação entre estar se tornando um rinoceronte e ser alguém ruim. E finalizamos na fuga, na percepção de se encontrar acordado e vivo de Até mais, e obrigada pelo breve chá (Rowan Romeiro, 2018), o aqui e agora não é suficiente, é necessário sair e seguir para uma vida melhor, é hora de seguir em frente.

Se estes filmes hoje fazem parte da Mostra Audiovisual em Curso, é por que acreditamos que levam-nos um tanto para mais longe, um longe incompreensível, mas constantemente buscado, são obras que se locomovem para antes delas, depois delas, para dentro delas.

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Nov 23-24, 2:00 PM, at Goethe-Institut Porto Alegre

The second edition of the Ongoing Audiovisual Exhibition is curated by 19 students from seven audiovisual, visual arts, communication and animation courses from five institutions in the state of Rio Grande do Sul: Crav/Unisinos, Teccine/PUCRS, Fabico e Instituto de Artes/UFRGS, Audiovisual e Animação/UFPEL and Audiovisual/Uniritter. The exhibition will feature 38 works selected by the students-curators. In addition to the screenings, the exhibition will feature debates between the curators and the filmmakers who directed the selected films. The Ongoing Audiovisual Exhibition will be held on Nov 23-24 at Goethe-Institut Porto Alegre, from 2:00 to 6:00 PM. The news in 2019 is that this exhibition is now a competitive exhibition the winner of which is decided by the public, who will not vote on the best film, but on the best session, thus valuing the curating process developed by the students. Fluxo Escola de Fotografia e Cinema will award prizes to the group of curators chosen by the Popular Jury. 

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