Cine Esquema Novo 2009

2009

O CineEsquemaNovo cresceu. E não será preciso explicarmos muito para você perceber isso: basta conferir a diversidade e extensão da nossa programação em 2009 para entender isso e, sobretudo, aproveitar.

Além das permanentes mostras competitivas de curtas, médias e longas-metragens do festival, que sempre oferecem um amplo panorama da produção audiovisual brasileira independente e contemporânea, trazemos a Porto Alegre este ano duas importantes mostras internacionais. A expansão do conteúdo do CEN para outras fronteiras é um projeto gradual e que havíamos iniciado no ano passado, com exibições isoladas de dois filmes de Portugal e Estados Unidos. Em 2009, damos mais um passo considerável rumo ao encontro do Festival de Cinema de Porto Alegre com outras cinematografias e criações audiovisuais do mundo todo.

Comecemos pela Mostra Zona Livre. Intenso fluxo de informações, downloads, copyrights e copylefts (e quebras de códigos de zonas de exibição) habitam o emaranhado conceitual desta mostra, cuja curadoria pertence a dois representantes da novíssima geração de realizadores porto-alegrenses: Davi Pretto e Bruno Carboni, da Tokyo Filmes. Exibiremos longas, médias e curtas que chamaram a atenção de diversos festivais espalhados pelo mundo, mas que terminaram por construir a sua verdadeira reputação dentro de um circuito paralelo de circulação e reflexão: os fóruns e comunidades de cinema da internet.

Mais do que trazer ao público filmes inéditos em Porto Alegre e no Brasil, a Mostra Zona Livre nos ajuda a refletir sobre a democratização e as vias paralelas da informação, bem como o inevitável (e permanente) processo de troca de telas a que a imagem é submetida hoje em nossas mãos. Neste caso, do computador para o festival. A premissa foi aplicada ao próprio método de curadoria: à relevância dos títulos em si, somou-se a saudável transposição destes “arquivos”, vindos das redes de cinéfilos na internet, em “fimes” exibidos com a autorização e apoio de seus realizadores na eterna experiência coletiva da sala de cinema.

Para nos ajudar a dar este recado, a Sala P.F. Gastal e o Cine Bancários recebem produções da Bélgica, Japão, Coréia do Sul, França, Hungria, Argentina, Reino Unido e Estados Unidos. Este, o país do diretor Cory McAbee, que participa do festival com dois longas: um na Mostra Zona Livre e outro convidado como pré-estréia internacional, no encerramento do CineEsquemaNovo 2009: “Stingray Sam” é um filme dividido em 6 episódios, originalmente concebido para exibições integradas ou fragmentadas, em diferentes telas. Exibido no Festival de Sundance 2009, “Stingray Sam” será exibido dia 24 de outubro, às 19h30min, antes do encontro de premiação do CEN deste ano.

Já a Mostra Cine en Construcción, nossa segunda programação internacional na temporada, é uma parceria do CineEsquemaNovo com o projeto de mesmo nome – originário do festival de Toulouse, na França, e que também acontece no festival de San Sebastian, na Espanha. O Cine en Construcción fomenta e promove a produção latino-americana, levando-a a novas redes de distribuição e exibição. Sete filmes em língua espanhola e portuguesa (vindos do Uruguai, Chile, México, Colômbia, Brasil e Argentina), premiados e exibidos em muitos dos mais influentes festivais internacionais, estarão em destaque no Cine Santander Cultural. Mais uma vez, envolvendo alguns títulos recentes e inéditos no Brasil.

E uma terceira, e muito especial mostra, completa as programações especiais do CEN este ano, pois ela remete às primeiras edições do CineEsquemaNovo – anos fortemente influenciados pelo espírito destes cineastas que a integram, e que colocaram sua juventude e energia em tantos filmes. A Mostra Cinema Marginal Brasileiro é um desdobramento da coleção homônima, lançada este ano no formato DVD pela Heco Produções ao lado da Lume Filmes, e que envolve o lançamento de 12 DVDs, com 38 filmes, produzidos (incluindo obras nunca lançadas comercialmente) desde a década de 1960. Os quatro primeiros volumes, dedicados a Andrea Tonacci, Rogério Sganzerla, Elyseu Visconti e André Luiz Oliveira, recebem lançamento e exibição integral no festival.

Mudando de foco e falando das mostras competitivas do CEN 2009, chegamos a um momento de paradoxo. O CineEsquemaNovo cresceu, mas por outro lado suas mostras competitivas estão cada vez mais compactas, concentrando apenas o que consideramos filmes “essenciais” para compor o panorama. Dos quase 800 filmes inscritos, selecionamos 22 curtas e 4 longas. A necessidade de dar vazão e espaço aos filmes de jovens realizadores, uma premissa básica há alguns anos para o CEN, não existe mais. Temos uma infinidade de canais paralelos de exibição, devidamente legitimados, assim como festivais de cinema de todos os tipos espalhados pelas cidades brasileiras para cumprir este papel. Foi com isso em mente que tivemos total liberdade para apresentar uma mostra que irá além desta proposta para exibir apenas filmes que foram unanimidade entre os cinco jurados de seleção – não por coincidência, também organizadores do festival. Não houve concessões.

Dentro deste processo de avaliação do material recebido, foi possível percebermos duas grandes divisões de proposta. A primeira envolve a profunda necessidade manifesta por alguns realizadores em registrar a sua realidade, ou de grupos específicos, em uma espécie de processo de afirmação da sua realidade. São produções com pontos de vista pessoais e de atenção a detalhes cotidianos que a tela mais importante do Brasil, a televisão, parece não estar conseguindo acompanhar. Estes filmes buscam de todas as formas estabelecer uma identidade particular para cada objeto filmado, como em uma resposta às generalizações sobre o que o Brasil, as suas regiões, os seus grupos sociais e as suas próprias vidas parecem ser alvo no dia-a-dia.

Por outro lado, entre os filmes inscritos vindos de diretores que estão fazendo o cinema da década de 00, chamou nossa atenção o aumento do número de filmes que derrubam de vez as fronteiras de gênero. Para nós isso não é uma novidade, pois investimos neste tipo de cinema que não se explica com tanta facilidade desde a primeira edição do CEN. O cinema híbrido e em trânsito, relacionado às artes visuais, sempre nos interessou – e recebemos um material particularmente rico neste sentido em 2009.

Deste cruzamento, se fortalece a idéia de que os filmes do festival, e o próprio festival, não apresentam uma resposta pronta para seu público, ou necessariamente sintonizada com o universo cognitivo de quem assiste. Ao invés do foco no ganho em escala, nos dedicamos a ser um encontro que, durante uma intensa semana, estabelece uma relação íntima com cada um daqueles que se propõem a pensar cinema conosco neste momento.

Com o intuito de aprofundar estas questões, modificamos um pouco a estrutura das oficinas de cinema do festival e criamos um ciclo de seminários, no qual cada um dos integrantes do júri de premiação vai ministrar uma palestra aberta ao público. Os encontros acontecerão diariamente na Sala P.F. Gastal, pela manhã, e serão comandados por César Migliorin, Christian Saghaard, Lina Chamie, Maria Helena Bernardes e Maria Henriquieta Satt.

Através destes seminários, poderemos conversar e pensar a respeito de questões como “Políticas da imagem e o documentário contemporâneo”, “Linguagem e produção de filmes com temática infantil”, “Direção cinematográfica e a função do diretor”, “A participação da imagem em movimento na história da arte e sua presença na produção contemporânea” e ainda “O Documentário e a reinvenção do real”. Esta programação acontece em conjunto com a Mostra Aula de Cinema, novo nome da conhecida Mostra Sala de Aula do CEN, que em 2009 exibirá 24 curtas produzidos em instituições de ensino de cinema. Esta aproximação facilita às novas gerações de realizadores, bem como a todos os interessados, o acesso ao agradável exercício de pensar cinema. A Oficina de Crítica Cinematográfica completa esta faceta do festival: ministrada este ano por Daniel Feix, ela entrega através do voto e da discussão entre os seus participantes, o Prêmio da Nova Crítica para o Melhor Longa do Festival.

Montamos uma semana inteira de atividades para celebrar o cinema independente e contemporâneo – desta vez, não somente do Brasil, como também do exterior. E todos estes olhares serão cruzados em um grande debate final de encerramento do CEN 2009, que acontece na tarde de sábado, 24 de outubro, na Sala P.F. Gastal da Usina do Gasômetro. E que a exemplo de tudo o que acontece no festival conta com entrada franca.

PREMIADOS JÚRI OFICIAL [Cezar Migliorin, Christian Saghaard, Lina Chamie, Maria Helena Bernardes, Maria Henriqueta Creidy Satt]

Melhor longa-metragem

“Ressaca”, de Bruno Vianna (RJ / 2009 – 75:00)

JUSTIFICATIVA DO JÚRI: “Pela direção dos atores, a força das cenas e o experimento realizado com a montagem ao vivo”.

Melhor curta ou média-metragem

“Sweet Karolynne”, de Ana Bárbara Ramos (PB /2009 – 15:00)

JUSTIFICATIVA DO JÚRI: “Pelo modo como o filme se aproxima com delicadeza e inteligência de seu personagem e tema. Destaca-se a maneira como o filme dessacraliza a morte e elogia a vida”.

Melhor ator (longas-metragens)

João Pedro Zappa, por “Ressaca”, de Bruno Vianna (RJ / 2008 – 100:00)

JUSTIFICATIVA DO JÚRI: “Pela delicadeza e competência na construção de seu personagem”

Melhor diretor (longas-metragens)

Gustavo Beck, diretor de “A Casa de Sandro” (RJ / 2009 – 75:00)

JUSTIFICATIVA DO JÚRI: “Pelo rigor narrativo e pelas composições temporais e pictóricas. Existe no filme uma investigação em torno da distância entre personagem e narrador”.

Melhor diretor (curtas e médias)

“Passos no Silêncio”, de Guto Parente (CE /2008 – 17:00)

JUSTIFICATIVA DO JÚRI: “Pela construção da narrativa em seu mergulho no intraduzível da poesia”.

Melhor montagem (curtas e médias)

“Muro”, de Tião (CE /2008 – 18:00)

JUSTIFICATIVA DO JÚRI: “Montagem através da qual o filme efetiva uma forma potente de evocação de sentidos.”

Melhor argumento experimental (curtas e médias)

“Flash Happy Society”, de Guto Parente (CE / 2009 – 08:00)

JUSTIFICATIVA DO JÚRI: “Pela construção de uma narrativa imagético-sonora e pela experiência com imagens do cotidiano”.

Menção honrosa (longas-metragens)

“Loveless”, de Cláudio Gonçalves (SP / 2009 – 61:00)

JUSTIFICATIVA DO JÚRI: “pela composição dos planos e o tratamento rigoroso de enquadramento e decupagem”

Menção honrosa (curtas e médias)

Para Matheus Rocha, Diretor de Fotografia de “A arquitetura do Corpo”, de Marcos Pimentel (MG / 2008 – 21:00)

JUSTIFICATIVA DO JÚRI: “pela precisão e expressividade da fotografia”

Menção honrosa (curtas e médias)

“Perto de Casa”, de Sérgio Borges (MG /2009 – 09:30)

JUSTIFICATIVA DO JÚRI: “Pela atenção à picardia e pela felicidade na relação cinema, família e mundo”

Troféu CineEsquemaNovo (a cargo da equipe CineEsquemaNovo)

Carlosmagno Rodrigues (MG)

JUSTIFICATIVA: “pela consolidação de uma obra que é acompanhada pelo festival desde a sua primeira edição”.

Prêmio da nova crítica – longas-metragens (a cargo dos alunos da Oficina de Crítica Cinematográfica)

“Ressaca”, de Bruno Vianna (RJ / 2009 – 75:00)

JUSTIFICATIVA: Pela criação de um dispositivo inovador, que está à serviço de uma experiência estética única.

PREMIADOS JÚRI POPULAR

Melhor longa-metragem

“Ressaca”, de Bruno Vianna (RJ / 2009 – 75:00)

Média: 4,115

Melhor curta ou média-metragem – primeiro lugar

“Perto de Casa”, de Sérgio Borges (MG / 2009 – 09:30)

Média: 4,078

Melhor curta ou média-metragem – segundo lugar

“Sweet Karolynne”, de Ana Bárbara Ramos (PB / 2009 – 15:00)

Média: 3, 945

Mostra Aula de Cinema – primeiro lugar

“1978”, de Tyrell Spencer e André Garcia (Unisinos/RS, 2009 – 05:00)

Média: 4,275

Mostra Aula de Cinema – segundo lugar

“Hollywood”, de Laura Montalvão, Marcos Serafim e Thiago Benites (FAP/PR, 2009 – 08:17)

Média: 3,774

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CLANDESTINA