CINE ESQUEMA NOVO
ARTE AUDIOVISUAL
BRASILEIRA 2019


A Arte em Tudo Isso/Art in all of it 

 

Muitos nos questionam sobre como é a curadoria do Cine Esquema Novo: não é fácil explicar, mas também não é difícil. Não somos um festival temático, mas também não somos genéricos. 
 
Estamos te explicando,
pra te confundir.
Estamos te confundindo,
Pra te esclarecer.

 
Quando assistimos aos 703 inscritos procuramos uma luz para nos guiar. Suavemente colocamos nossa proposta, fechamos os olhos e enxergamos essa curadoria. Pensamos naqueles que se identificam com o CEN e o que gostariam de ver. Mas também naquilo que não fazem ideia que poderão encontrar, pois a surpresa sempre esteve no nosso DNA. Ficamos alegres com os filmes que escolhemos, e também sensíveis à realidade que se apresenta ao nosso redor. E essa realidade está nas obras que escolhemos, para que o desespero dê lugar ao carinho.
 
 
Uma deliciosa e radical salada de frutas,
que é servida das lutas de cada dia. 
Deixando clara nossa posição
de não acomodação diante disso tudo, 
pois afinal isso tudo não é pouco, 
e é tudo isso e muito mais. 
 
E não precisa de rima na arte quando o que queremos falar é de feminismo, colonialismo,  empoderamento e representatividade negra, política atual, sobrevivência e exploração da religiosidade, questões candentes aos povos originários, pertencimento, imigração, memória, acessibilidade, identidade queer e a nossa identidade, que representa através do audiovisual um Brasil em momento de disruptura.
 
Não é o discurso pelo discurso, 
é como esse discurso transita 
entre cérebros e punhos, 
olhos e câmeras,
telas grandes e pequenas,  
de forma a encantar mesmo na barbárie. 
 
Poesia numa hora dessas também pode, mas ela não está só, pois o audiovisual é o espelho da sociedade e suas idiossincrasias, é o nosso bilhete de viagem, a ponte e o porto.
 
Então vamos por agora nos despedindo que é pra poder voltar. 

Gustavo Spolidoro, Jaqueline Beltrame, Ramiro Azevedo e Vinicius Lopes

--

ART IN ALL OF IT

Many people ask us about what it is like to curate Cine Esquema Novo: it is not easy to explain, but it is not difficult either. We are not a theme festival, but we are not generic either. 

We are explaining it to you

Just to confuse you.

And we’re confusing you

Just to make things clear to you.

When we watched the 703 works submitted, we looked for a guiding light. We gently laid out our proposal, closed our eyes and saw this curatorship. We thought about those who identify with the CEN and what they would like to see. However, we also thought about what people have no idea they might find, because the surprise element has always been in our DNA. We are very thrilled with the movies we choose, but we are also sensitive to the reality that surrounds us. And this reality is in the works we chose, so that despair may give way to affection.

A delicious and radical fruit salad,

which is served from our daily struggles. 

Making our position clear,

which is not to cross our arms in the face of it all, 

Because, in the end, this ‘all of it’ is not a minor thing. 

it’s indeed all of it and much more. 

Rhyming is not necessary in art when what we want to talk about is feminism, colonialism, empowerment and black representativeness, current politics, the survival and exploitation of religiousness, burning issues to native peoples, sense of belonging, immigration, memory, accessibility, queer identity and our identity, which represents - through audiovisual works - a Brazil that is going through moment of disruption.

It isn’t about talking for the sake of it,  

it’s about how this discourse travels 

across brains and fists, 

eyes and cameras,

big and small screens,  

in order to spur enchantment even in times of savagery. 

In times like these, poetry is allowed; however, it must not walk alone, because audiovisual works are a mirror reflecting society and its idiosyncrasies, they are our means to go other places; they are our bridges and harbors.

So let us say our goodbyes now so that we may come back another day.

Gustavo Spolidoro, Jaqueline Beltrame, Ramiro Azevedo e Vinicius Lopes

COMPARTILHE