Estão abertas as inscrições para a Oficina Crítica no Brasil Hoje

Cinemateca Capitólio Petrobras, dias 22 e 23/11 (sala Multimídia) e 26/11 (sala de cinema), das 15h às 18h

Vagas: 20 – Inscrições: https://goo.gl/ihFia2

CRÍTICA NO BRASIL HOJE – POR DANIEL FEIX

Historicamente, a crítica de cinema se consolidou em duas instâncias: o jornalismo e a pesquisa acadêmica. As naturezas convergentes desses dois polos permitem pensar o exercício da reflexão sobre essa arte como um só, mas sem deixar de lado suas particularidades.

No ambiente contemporâneo, em que o jornalismo passa por reformulações de discursos e práticas, em grande parte motivados pela mudança de suportes e mídias, essas particularidades parecem se acentuar. No entanto, paradoxalmente, surgem novos pontos de convergência: o crescimento da produção provoca uma necessidade de seleção prévia de filmes e tendências a serem criticados, o que resulta em um olhar de perspectiva semelhante, necessariamente distanciado, seja na crítica de imprensa ou na academia.

Além disso, as reconfigurações das noções de autoria, na contemporaneidade (com os projetos coletivos, as cooperativas de produção, as colaborações e coproduções), modificam a maneira como se olha para os filmes - para refletir sobre eles no dia a dia (em blogs, revistas, redes sociais, vídeos ou jornais) e, também, em estudos mais aprofundados (de caráter científico).

Neste curso, vamos lembrar brevemente características históricas da crítica em ambas as instâncias para, depois, pensar de maneira mais aprofundada sobre essa convergência no cinema contemporâneo. Nossa base serão as propostas de análise fílmica como metodologia conforme elaborada por autores como Aumont e Marie. Que particularidades a análise fílmica demanda no atual contexto da produção? Essa questão basilar orienta o curso, que está dividido em três módulos, o primeiro de caráter histórico e teórico, o segundo sobre a crítica no ambiente da contemporaneidade e, por fim, o terceiro sobre o cinema brasileiro atual.

É imprescindível, para o exercício da reflexão sobre os filmes e as tendências que eles formam, entender o contexto da produção - suas características, intra e extra-fílmicas. E a cinematografia nacional encontrou hoje uma autenticidade que não pode ser ignorada em qualquer tipo de reflexão que se realize.

Se o objetivo primeiro do curso é pensar as particularidades da análise dos filmes na contemporaneidade, seu objetivo secundário é refletir sobre essas particularidades especificamente no Brasil atual.

 

PROGRAMA

1. Breve história da crítica. A pesquisa acadêmica e o jornalismo. A análise fílmica: questões teóricas. A estrutura do texto.

2. A crítica hoje: o suporte e a linguagem. Tendências, movimentos e questões de autoria na contemporaneidade. Pensar a imagem hoje.

3. A crítica e o cinema nacional atual. Realismo e fabulação: a autenticidade da produção brasileira. Pensar a imagem hoje (de novo).

 

O MINISTRANTE

Daniel Feix é jornalista e crítico de cinema do jornal Zero Hora, de Porto Alegre. Atuou como editor da revista Aplauso e é sócio-fundador da Associação Brasileira de Críticos de Cinema (Abracine). Atualmente é o presidente da Associação dos Críticos de Cinema do Rio Grande do Sul (Accirs), gestão 2018-2020. Já participou de júris de festivais e publicou textos em livros, a exemplo da série Melhores Filmes (Abraccine/Canal Brasil/Letramento). Finaliza neste ano o mestrado na Famecos/PUCRS sobre o realismo fabular do cinema brasileiro, particularmente o mineiro, na década de 2010.

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Roger Lerina